
Nesta sexta-feira (05/09), dia internacional da caridade, a Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Combate a Estelionatos do Departamento de Investigações Criminais de Joinville (DCE/DIC), deflagrou a operação “Falso Samaritano”, nas cidades de Joinville, Blumenau, Brusque e Florianópolis. A ação investiga pessoas físicas e jurídicas pelo desvio de doações de valores que deveriam ser repassados para a manutenção e assistência em saúde fornecida por hospitais beneficentes.
Foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e três de prisão, além de onze medidas de bloqueio de imóveis, veículos e contas bancárias. Uma lancha e quatro automóveis de luxo foram apreendidos durante as diligências.
A trama vitimou ao menos sete mil consumidores mantidos em erro, que tiveram descontos irregulares na fatura de energia elétrica por anos, causados por um grupo empresarial e seus representantes. O sistema informatizado de proteção e desconto das doações foi burlado com o objetivo de obtenção de vantagem ilícita em benefício próprio.
Somente em três das instituições filantrópicas verificadas – sediadas em Joinville, Brusque e Blumenau – as quais desconheciam a prática criminosa, pode ter havido o prejuízo de aproximadamente R$ 4 milhões em um levantamento preliminar.
A quantia total do prejuízo e o número de organizações lesadas pela fraude serão apurados ao longo do Inquérito Policial, assim como os detalhes da prática dos crimes de fraude eletrônica e estelionato majorado contra entidade de beneficência, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
A Polícia Civil ressalta que as doações voluntárias e espontâneas são um importante instrumento para custeio das atividades sérias e altruístas de diversas unidades de saúde e de assistência, mas que devem ser pautadas pela transparência e auditoria dos processos, permitindo que a integralidade dos recursos doados salvem vidas ou ajudem pessoas carentes.
Como funcionava o golpe
Uma empresa terceirizada, contratada para intermediar doações, inseria cobranças nas contas de luz de consumidores sem a devida autorização. Em outros casos, o valor era destinado a instituições diferentes daquelas informadas aos doadores.
Segundo o delegado Vinicius Ferreira, muitos clientes não perceberam os débitos porque as quantias eram pequenas, como R$ 10 ou R$ 15 por mês.
Nos dois anos e meio de funcionamento do esquema, apenas R$ 800 mil chegaram efetivamente às instituições de saúde. O restante foi desviado por empresas e representantes, que agora respondem por estelionato eletrônico, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Hospitais atingidos
Entre as entidades prejudicadas estão o Hospital Bethesda (Joinville), o Hospital Azambuja (Brusque) e o Hospital Misericórdia Vila Itoupava (Blumenau), que confirmaram colaborar com as investigações.
Como o consumidor pode identificar
A Celesc, que também é considerada vítima do esquema, orienta que o consumidor:
- Verifique mensalmente a fatura de energia, conferindo a descrição de cobranças de doações;
- Entre em contato com a Celesc caso identifique débitos não autorizados;
- Cancele ou altere autorizações de doação pelos canais oficiais da companhia.
Segundo a estatal, atualmente já são enviados avisos ao cliente sempre que um novo débito de doação é incluído na fatura.



