Mulher que matou e ‘congelou’ o marido em SC é condenada a mais de 20 anos

Mulher que matou e ‘congelou’ o marido em SC é condenada a mais de 20 anos

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Os Promotores de Justiça conduziram a acusação, desmontando a tese de que a vítima cometeu o crime porque sofreria violência doméstica

O caso que chocou Santa Catarina chegou a um desfecho nesta noite de sexta-feira (29). Cláudia Tavares Hoeckler foi condenada a 20 anos e 24 dias de reclusão em regime inicial fechado pelo homicídio do marido, Valdemir Hoeckler, ocorrido em Lacerdópolis. A sentença inclui homicídio duplamente qualificado, por asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ocultação de cadáver e falsidade ideológica.



Os Promotores de Justiça Rafael Baltazar Gomes dos Santos e Diego Bertoldi conduziram a acusação, desmontando a tese de que a vítima cometeu o crime porque sofreria violência doméstica.

Durante o julgamento, realizado na Câmara de Vereadores de Capinzal, a acusação exibiu o freezer usado para armazenar o corpo, além de panos e cordas que teriam sido utilizados no crime. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a exibição dos objetos tinha como objetivo ilustrar a dinâmica do assassinato. O Tribunal de Justiça de SC reforça que todos os itens permanecem sob guarda judicial até o encerramento do processo.

Em seu depoimento, Cláudia relatou que substituiu medicamentos tomados pelo marido por zolpidem, de efeito sonífero, e, após ele adormecer, amarrou seus pés e mãos, cobriu o rosto com pano e sacola plástica, repetindo gestos que, segundo ela, o marido praticava contra ela durante agressões. Ela descreveu ainda a tentativa de colocar o corpo no freezer com auxílio de uma cadeira, afirmando que não tinha intenção de esconder o corpo indefinidamente ou fugir.


A ré alegou que os atos foram uma forma de se defender de possíveis agressões e destacou o impacto do crime na filha do casal. A condenação reafirma a gravidade do crime e marca uma resposta firme da Justiça em casos de homicídios brutais e planejados.

Relembre o caso
De acordo com os autos, a ré matou o marido após induzi-lo ao sono com medicamento, amarrar os pés, pernas e braços com cordas e asfixiá-lo com uma sacola, impossibilitando qualquer reação de defesa. Em seguida, ocultou o corpo em um freezer horizontal na residência do casal.

No dia seguinte ao fato, registrou boletim de ocorrência comunicando falsamente o desaparecimento do companheiro, o que mobilizou vizinhos, amigos e forças de segurança em buscas que se prolongaram por cinco dias até a localização do corpo.]


Os jurados acolheram integralmente as teses sustentadas pelos Promotores de Justiça

A mulher que dopou e asfixiou o marido Valdemir Hoeckler, de 52 anos, em 14 de novembro de 2022, em Lacerdópolis, escondeu o corpo no freezer, foi confraternizar com amigas e, mais tarde, registrou o desaparecimento e ajudou nas buscas, foi condenada a 20 anos e 24 dias de prisão, em um dos julgamentos mais aguardados de Santa Catarina. Ela foi reconduzida ao presídio para cumprir a pena assim que a sentença foi lida e não poderá recorrer em liberdade.
A sessão do Tribunal do Júri aconteceu na Câmara de Vereadores de Capinzal, cidade-sede da comarca, com base na denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), e teve dois dias de duração. Os trabalhos iniciaram às 9h de quinta-feira (28/8), com o sorteio dos jurados, foram interrompidos às 23h, quando a ré passou mal, recomeçaram às 8h30 de sexta-feira (29/8), com um interrogatório de três horas, e só terminaram às 20h35, com o choro de alívio de quem esperava por justiça.
Os jurados acolheram integralmente as teses sustentadas pelos Promotores de Justiça Rafael Baltazar Gomes dos Santos, de Concórdia, e Diego Bertoldi, de Videira, reconhecendo os crimes de homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
O julgamento foi marcado por comoção, tensão e debates acalorados entre a acusação e a defesa. Familiares da vítima e da ré dividiram o plenário vestindo camisetas com pedidos, respectivamente, de condenação e absolvição.
Os Promotores de Justiça levaram o freezer, as cordas e o pano usados no crime para ilustrar a crueldade empregada pela ré. “Hoje o Ministério Público de Santa Catarina é a voz da vítima. Estamos aqui para mostrar a verdade e impedir que o direito das mulheres seja instrumentalizado para justificar um ato tão brutal”, disse Diego Bertoldi.
Eles também apresentaram provas colhidas durante as investigações, como áudios enviados pela ré ao marido após o crime para tentar criar um álibi. “Policiais, Bombeiros e moradores foram mobilizados durante cinco dias para ajudar nas buscas, sendo que ela sabia onde o corpo estava”, disse Rafael Baltazar Gomes dos Santos.



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