Surto de diarreia já afeta mais de 10 mil pessoas em Santa Catarina em apenas duas semanas
Santa Catarina enfrenta um aumento expressivo nos casos de Doença Diarreica Aguda (DDA) neste início de 2026. Em apenas duas semanas, o estado já contabiliza 10.649 casos, conforme dados do Ministério da Saúde atualizados até o dia 15 de janeiro.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), o litoral catarinense concentra o maior número de registros, impulsionado pelo aumento das temperaturas, maior circulação de pessoas durante a temporada de verão e maior consumo de alimentos fora de casa. A exposição a águas impróprias para banho também é apontada como um dos fatores de risco.
Apesar da predominância no litoral, o avanço da doença não se limita à região costeira. Itajaí lidera o ranking estadual, com 1.335 casos, seguida por Chapecó, no Oeste, que já soma 599 ocorrências de diarreia aguda.
A SES ressalta que os números não representam a totalidade dos casos registrados no estado, mas funcionam como um indicador epidemiológico para monitorar o comportamento da doença e identificar situações de alerta.
O que é a Doença Diarreica Aguda
Segundo o Ministério da Saúde, a DDA é caracterizada por três ou mais episódios de diarreia em um período de 24 horas, com fezes líquidas ou amolecidas e aumento da frequência das evacuações. Os sintomas podem incluir náusea, vômito, febre, dor abdominal, cólicas e, em casos mais graves, presença de muco ou sangue nas fezes.
Na maioria das vezes, a doença é autolimitada e dura até 14 dias, mas pode causar desidratação leve a grave, especialmente em crianças e idosos. As infecções são provocadas por vírus, bactérias ou parasitas, transmitidos principalmente por água e alimentos contaminados, além do contato com mãos, objetos ou pessoas infectadas.
Bombinhas registra aumento alarmante
Um dos casos que mais chama atenção é o de Bombinhas, no Litoral Norte, que vive um alerta sanitário em plena alta temporada. Entre os dias 29 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026, o município registrou 409 casos de DDA, um aumento de 353% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
O crescimento ocorre em meio a denúncias de descarte irregular de esgoto e após a divulgação do relatório de balneabilidade do Instituto do Meio Ambiente (IMA), que aponta que 8 dos 17 pontos monitorados no município estão impróprios para banho, incluindo trechos das praias de Bombas, Zimbros, Morrinhos e Canto Grande.
O IMA recomenda evitar o banho de mar até 48 horas após chuvas intensas e manter distância de saídas de galerias pluviais, locais com maior risco de contaminação por coliformes fecais.
Em nota, a Prefeitura de Bombinhas afirmou que o aumento nos registros está relacionado à melhoria no sistema de monitoramento e notificação, que anteriormente apresentava subnotificação. Segundo o município, a elevação dos números reflete maior eficiência na vigilância epidemiológica, e não necessariamente um agravamento real do cenário sanitário.

