
Requalificação da Avenida São Bento entra em debate e empresários defendem atenção aos impactos da obra
A requalificação da Avenida São Bento voltou a ser tema de debate entre empresários e representantes da Prefeitura de São Bento do Sul. A reunião, realizada na manhã desta quinta-feira (8), pelo Núcleo de Desenvolvimento Urbano da Associação Empresarial de São Bento do Sul (ACISBS), teve como objetivo apresentar informações técnicas sobre a obra, esclarecer dúvidas e discutir os impactos da intervenção sobre a mobilidade e as atividades econômicas instaladas ao longo da avenida.
O encontro contou com representantes do setor empresarial e da administração municipal. Representando o prefeito Antonio Tomazini, a chefe de Gabinete, Suzana Telles, apresentou aspectos relacionados à concepção e ao planejamento do projeto.
Os esclarecimentos técnicos ficaram a cargo do arquiteto Ricardo Calado, da Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo (SEPLU), que apresentou detalhes da proposta e respondeu aos questionamentos encaminhados previamente pela ACISBS.
Entre os assuntos discutidos estiveram a capacidade da via, circulação de veículos, segurança no trânsito, implantação dos canteiros centrais, travessias de pedestres, acessibilidade, mobilidade cicloviária, transporte coletivo, circulação de veículos de emergência e acesso aos estabelecimentos comerciais e industriais.
Empresários demonstram preocupação com os impactos
Embora a Prefeitura tenha apresentado justificativas técnicas para as alterações previstas, a reunião também evidenciou uma preocupação que acompanha a execução da obra: como as mudanças vão funcionar efetivamente no dia a dia da avenida.
O acesso aos estabelecimentos, a entrada e saída de veículos, as operações de carga e descarga, a circulação de caminhões e as alterações no trânsito estão entre os pontos que afetam diretamente comerciantes, empresas e consumidores.
A Prefeitura informou que vem realizando avaliações individualizadas e que ajustes pontuais podem ser feitos quando houver viabilidade técnica e condições de segurança.
Na prática, entretanto, a dimensão da intervenção faz com que o acompanhamento dos resultados seja tão importante quanto o planejamento inicial.
Reavaliar pode ser necessário
A principal questão que permanece é se todas as soluções projetadas terão o comportamento esperado quando estiverem implantadas e submetidas à movimentação diária da Avenida São Bento.
Estudos e levantamentos técnicos são fundamentais para uma obra dessa dimensão, mas determinadas situações somente podem ser plenamente identificadas quando a nova configuração passa a funcionar no cotidiano.
Por isso, a reavaliação das soluções adotadas deve permanecer aberta durante a execução da obra e também após a implantação das mudanças.
Fluxo de veículos, segurança das travessias, acessibilidade, acesso aos imóveis, circulação de veículos de emergência e funcionamento das empresas são aspectos que precisam ser acompanhados de forma permanente.
Caso sejam identificados problemas, a discussão sobre eventuais ajustes não deveria ser vista como uma oposição ao projeto, mas como parte do próprio processo de aperfeiçoamento de uma intervenção urbana de grande impacto.
Canteiros e infraestrutura elétrica
Um dos principais pontos apresentados pela equipe técnica foi a implantação dos canteiros centrais. Segundo a Prefeitura, a medida busca organizar os movimentos de conversão, separar os fluxos em sentidos opostos e melhorar a segurança das travessias.
Também foi apresentada a reorganização da rede elétrica. Conforme os dados divulgados durante a reunião, a proposta prevê a redução de 99 postes atualmente instalados nas laterais da avenida para 46 estruturas concentradas no eixo central.
A mudança, segundo a administração municipal, deverá liberar espaço nas calçadas e proporcionar melhores condições de acessibilidade.
São soluções que podem trazer benefícios urbanos, mas que também precisam ser avaliadas sob a perspectiva de quem utiliza a avenida diariamente.
Avenida concentra atividade econômica
A Avenida São Bento não é apenas um corredor de trânsito. Ao longo de sua extensão estão instalados estabelecimentos comerciais, empresas, serviços e atividades que dependem diretamente do acesso de clientes, fornecedores e trabalhadores.
Durante a apresentação, a Prefeitura informou que a região de influência da avenida atende aproximadamente 15 mil unidades consumidoras e reúne cerca de 2.300 unidades edificadas.
Esses números ajudam a dimensionar a importância da intervenção, mas também reforçam a necessidade de acompanhar seus efeitos sobre a economia local.
Uma mudança que melhora determinado aspecto da circulação pode, eventualmente, gerar dificuldades em outro ponto. Por isso, o equilíbrio entre mobilidade, segurança, acessibilidade e atividade econômica será um dos principais desafios durante a implantação do projeto.
Obra de longo prazo exige acompanhamento
A Prefeitura defende que a requalificação deve ser compreendida como um projeto urbano integrado, e não apenas como uma obra de pavimentação.
A proposta envolve alterações na circulação, infraestrutura, acessibilidade e organização dos espaços públicos e deverá modificar significativamente a relação dos usuários com um dos principais corredores de São Bento do Sul.
Diante disso, o resultado da intervenção não deve ser medido apenas pela conclusão física da obra.
Será necessário observar como a avenida vai funcionar depois das mudanças, quais serão os impactos para moradores, motoristas, pedestres, ciclistas e empresários e se as soluções adotadas realmente alcançarão os objetivos apresentados.
A reunião entre Prefeitura e ACISBS mostra que o diálogo continua sendo necessário. E, diante da dimensão da obra, manter espaço para avaliar, reavaliar e, quando tecnicamente possível, corrigir eventuais problemas pode ser tão importante quanto o planejamento realizado antes do início das intervenções.
