Diretor de presídio de SC preso acusado de favorecer detento em troca de picanha
O policial penal atuava na unidade desde maio de 2016; em 2022 foi promovido ao cargo de diretor
O diretor do Presídio Masculino de Lages, na Serra Catarinense, Rodrigo Barroso, de 39 anos, foi preso preventivamente nesta quinta-feira (26). Ele foi alvo da “Operação Carne Fraca”.
Segundo as investigações, Rodrigo teria mantido relações pessoais com a mulher de um apenado e também recebido carnes nobres — como picanha — em troca de vantagens indevidas e concessão de benefícios a um dos presos.
Quem é Rodrigo Barroso?
Rodrigo Barroso tem 39 anos, é advogado e pai de uma menina. Atualmente ele mora em Lages, na Serra Catarinense e atuava como policial penal no Presídio Masculino de Lages desde maio de 2016 — onde ingressou na unidade por meio de concurso público.
Em 1º de agosto de 2022 ele foi promovido ao cargo de Diretor do Presídio Masculino de Lages. Em 2023, recebeu uma moção de aplausos pela Câmara Municipal de Lages pela “sensibilidade, empatia e solidariedade com a sociedade lageana”. A moção foi proposta pela então vereadora Katsumi Yamaguchi (PP).
Já em 2025, ele e outros policiais penais de Santa Catarina foram elogiados por meio de uma portaria estadual da Sejuri (Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social) pelo “profissionalismo e dedicação no desempenho de suas atividades funcionais” em um recambiamento feito em 3 de janeiro de 2025.
Motivo da prisão do diretor do presídio
A investigação teve início após uma representação que denunciava benefícios irregulares a um preso da unidade, que teriam acontecido entre março e outubro de 2025. O diretor do presídio, segundo a apuração, tinha uma relação pessoal e funcional com a companheira do apenado.
Através disso, passou a intervir várias vezes em procedimentos ligados à execução penal. Na denúncia, consta que a relação entre o policial e o preso era uma troca mútua: os benefícios administrativos eram seguidos de “vantagens materiais e pessoais”.
A operação foi batizada de “Carne Fraca” porque, segundo as investigações, uma das vantagens indevidas era a entrega de carnes nobres ao policial, como picanha, filé mignon e contrafilé.
Contrapontos da Sejuri e defesa do diretor
Em nota ao ND Mais, a Sejuri declarou:
“A Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri) informa que acompanhou o cumprimento dos mandados judiciais no âmbito da Operação Carne Fraca, deflagrada nesta quinta-feira (26) pelo Ministério Público de Santa Catarina, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e do Grupo Especial Anticorrupção (GEAC).
A operação apura possíveis crimes envolvendo corrupção, violação de sigilo funcional e favorecimento indevido a apenado dentro de uma unidade prisional da Serra Catarinense, tendo sido cumprido mandado de prisão preventiva e mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário.
A Pasta reforça que não compactua com qualquer desvio de conduta por parte de seus servidores e que atua de forma permanente para garantir a legalidade, a transparência e a integridade no âmbito do sistema prisional catarinense.
O policial penal citado na investigação foi imediatamente afastado de suas funções, conforme decisão judicial.
Paralelamente, a Secretaria está instaurando uma Comissão de Intervenção Prisional Administrativa (CIPA) no Presídio Masculino de Lages, com o objetivo de investigar demais áreas da administração da unidade e assegurar o fiel cumprimento das normas e protocolos institucionais.
A Sejuri permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e adotará todas as medidas administrativas cabíveis no âmbito de sua competência.”
Já a defesa de Rodrigo Barroso disse, ao ND Mais, que ainda não há uma posição oficial por não ter acesso à integralidade do processo.
Fonte ND MAIS


