
Homem chegou armado após dizer que buscaria dinheiro e pertences; mulher é vítima de feminicídio em Rio Negrinho
Uma sequência de ligações, mensagens e alertas desesperados marcou as horas que antecederam o feminicídio de Pricila Maria Dolla Gomes, de 38 anos, na noite de segunda-feira (16), na localidade de Águas Claras, Estrada Geral Águas Claras, no distrito de Volta Grande, interior de Rio Negrinho.
Segundo informações apuradas pelo Jornal Razão, o crime ocorreu por volta das 19h30. Às 19h58, uma amiga da vítima entrou em contato direto com um policial militar, informando que Pricila estaria sendo ameaçada pelo ex-companheiro, que estaria armado dentro da residência.
A guarnição iniciou deslocamento imediato. Ainda durante o trajeto, a mesma testemunha voltou a ligar relatando que haviam ocorrido disparos de arma de fogo e que Pricila havia sido atingida. Diante da gravidade, o Copom acionou o Corpo de Bombeiros.
Ao chegarem ao endereço, os policiais encontraram diversas pessoas do lado de fora da casa, em estado de desespero. Já na porta do imóvel, estava Gustavo Danielski, caído em decúbito dorsal, com a cabeça em posição mais baixa em relação ao corpo.
Ele apresentava ferimento na cabeça compatível com disparo de arma de fogo, sinais vitais instáveis e não respondia a comandos ou estímulos. Ao lado dele, foi localizada uma pistola calibre 9 mm, apreendida com munições intactas e deflagradas.
No interior da residência, sobre um colchão de solteiro colocado diretamente no chão, estava Pricila Maria Dolla Gomes, em decúbito lateral, já sem sinais vitais. Conforme a Polícia Militar, ela foi atingida por disparos na região do tórax. O Corpo de Bombeiros confirmou o óbito ainda no local.
Alertas começaram horas antes
O clima de tensão teria começado ainda pela manhã. Segundo testemunhas, Pricila comentou com amigas que pretendia encerrar o relacionamento. À tarde, Gustavo teria informado que iria até a casa dela buscar um valor em dinheiro e alguns pertences.
No início da noite, familiares e amigas passaram a trocar ligações após receberem a informação de que ele estaria na residência dizendo que iria matá-la. A mãe da vítima foi avisada por telefone de que o suspeito estaria no local “para matá-la”.
A residência da mãe fica a cerca de 100 metros do imóvel onde Pricila morava. Ao receber o alerta, ela e o marido foram de carro até a casa da filha. Ao entrar, encontraram Pricila caída sobre o colchão, aparentemente já sem vida. Na porta, Gustavo estava no chão.
Os pais relataram que não tinham conhecimento de desentendimento recente. Informaram que o casal havia passado o fim de semana junto e disseram não compreender o que teria motivado o crime.
Investigação
A Polícia Militar isolou a área para preservação da cena até a chegada da Polícia Científica, responsável pelos levantamentos periciais. Também foram apreendidos objetos pessoais do autor e o veículo utilizado por ele para chegar ao local.
O caso foi registrado como feminicídio consumado e tentativa de suicídio. Gustavo Danielski foi encaminhado à Fundação Hospitalar de Rio Negrinho sob escolta policial. Até a última atualização oficial, não havia boletim detalhado sobre o estado de saúde dele.
A investigação está sob responsabilidade da Polícia Civil, que deverá esclarecer a sequência exata dos disparos, a dinâmica dentro da residência, a origem da arma e todos os elementos que antecederam o crime.
A morte de Pricila abalou profundamente a comunidade de Volta Grande. Amigos relataram que houve tentativas de evitar o pior após os primeiros alertas, mas o desfecho foi rápido. Pessoas próximas descreveram a vítima como trabalhadora, dedicada e mãe de um garoto. Em poucas horas, as ligações que começaram como alerta terminaram em silêncio dentro da casa onde ela foi assassinada.

