
Empresa fecha as portas e gera revolta entre 330 funcionários na Grande Curitiba: ‘Pegos de surpresa’
Segundo os trabalhadores, a empresa quer reconhecer um ano e meio de direitos, apesar de funcionários com até 25 anos de casa
Cerca de 330 funcionários da empresa Dipro do Brasil, localizada no bairro Costeira, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), procuraram a Banda B após o encerramento das atividades da fábrica. Segundo eles, não houve a quitação dos direitos trabalhistas. A empresa é focada na fabricação de cabos e condutores elétricos de média e baixa tensão, além de cabos de rede, e funcionava no local anteriormente como Conduspar.
De acordo com os trabalhadores, em meados de dezembro de 2025, a empresa comunicou o cancelamento das férias, que também não foram pagas. Além disso, mesmo com as atividades ainda em andamento, os funcionários passaram a perceber que a estrutura da empresa começou a ser desmontada, sem qualquer posicionamento oficial da direção.
Os funcionários também relataram que a Dipro pretende assumir os acertos trabalhistas referentes a um ano e meio, período em que a empresa teria comprado a antiga Conduspar. No entanto, a Banda B apurou que há trabalhadores com 10, 15 e até 25 anos de casa.
Segundo Lucas Gabriel Ribeiro, funcionário com cinco anos de empresa, os principais benefícios deixaram de ser pagos ainda em dezembro. Ele também contou que, durante a transição entre as empresas, todos continuaram atuando dentro do mesmo grupo econômico.
“Não depositaram o vale-mercado, não honraram o pagamento do dia 5 e agora querem pagar só uma parte, parcelada em 12 vezes. Em nenhum momento, quando eles assumiram a empresa, eles deram baixa nos funcionários e contrataram de volta. Com isso, entendemos que eles assumem a responsabilidade do tempo de casa. O que revolta é saber que famílias inteiras vão ficar sem renda. Se não fosse o sindicato, a gente só saberia disso no dia da demissão”disse Ribeiro.
Com 26 anos de trabalho na empresa, Adilson Costa relatou que o clima de incerteza já vinha sendo percebido pelos funcionários.
“Eles sempre falavam muito e não cumpriam. A gente via material sendo retirado, produto acabado saindo, mas ninguém falava a verdade. Somos pais de família, sempre fizemos nossa parte, eu nunca pensei que fosse passar por isso. Agora estamos sem salário, sem benefício e sem previsão de nada”
afirmou Adilson.
Já Eliel de Jesus, com sete anos de empresa, destacou a falta de transparência. “A empresa sempre pregou transparência, mas não foi o que aconteceu. Fomos pegos de surpresa. O mínimo que esperamos agora é que honrem o que foi prometido, porque dependemos disso para sustentar nossas famílias. É um desrespeito com todos, porque sempre oferecemos os nossos trabalhos”, explicou o funcionário.
De acordo com Elton Vale, funcionário há 15 anos, a forma como tudo foi conduzido agravou ainda mais a situação.
“Recebemos essa notícia de forma amarga. Voltamos de Natal e Ano Novo achando que estava tudo normal e, de repente, recebemos a notícia de que todos seriam desligados. É direito da empresa, mas o trabalhador também tem direitos. Merece ser informado, tratado bem, porque sempre honramos o nome da empresa. A comunicação foi péssima e só o sindicato tem nos dado algum suporte” complementou Elton.
O que diz a empresa
“A DIPRO DO BRASIL LTDA esclarece que a rescisão consensual do contrato de compra e venda da Unidade Produtiva Isolada (UPI), firmada com a empresa CONDUSPAR, resultou no encerramento das atividades dessa unidade específica, impactando os contratos de trabalho diretamente vinculados à respectiva operação.
A decisão decorre das dificuldades econômico-financeiras enfrentadas pela companhia, que inviabilizaram a continuidade da operação nos moldes originalmente pactuados. Diante desse cenário, DIPRO e CONDUSPAR ajustaram, de comum acordo, a rescisão do contrato relativo à Unidade Produtiva Isolada e a devolução da operação, como medida necessária para permitir a avaliação de eventuais alternativas futuras.
A DIPRO destaca que não há qualquer atraso no pagamento de salários, tendo sido efetuado regularmente nesta data, 06 de janeiro, correspondente ao terceiro dia útil do mês, em estrita observância à legislação trabalhista.
Da mesma forma, não há atraso no pagamento do vale-alimentação, cujo pagamento será realizado em 07 de janeiro, conforme previamente informado aos colaboradores.
No que se refere aos desligamentos decorrentes do encerramento da unidade, a empresa reafirma que todas as verbas rescisórias serão pagas de forma integral, nos prazos e termos previstos na legislação vigente, com absoluto respeito aos direitos dos trabalhadores envolvidos.
A DIPRO informa, ainda, que todo o processo vem sendo acompanhado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região, com quem mantém canal permanente de diálogo, transparência e colaboração, colocando-se à disposição para prestar esclarecimentos e buscar, dentro de suas possibilidades, medidas que contribuam para a mitigação dos impactos decorrentes do encerramento da operaçã
