“Dupla vida revelada: homem condenado por homicídio vivia como ‘fantasma’ em SC”

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Por Stefany de Souza Alves
10 de julho de 2025 – 20h36

A Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Capturas (DECAP) da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC), prendeu nesta quinta-feira (10) um homem foragido da Justiça do Paraná há cerca de 20 anos. A prisão foi realizada no bairro Barra da Lagoa, em Florianópolis, quando o indivíduo saía de uma obra.

O homem, que vivia há anos em Santa Catarina utilizando uma identidade falsa, possuía dois mandados de prisão por crimes como homicídio, tráfico de drogas e roubo. Um dos mandados referia-se a uma condenação definitiva, com pena superior a 24 anos de reclusão.

A captura foi resultado de três meses de investigação sigilosa, conduzida pela equipe da DECAP/DEIC, com apoio fundamental do Centro Integrado de Segurança Pública e Proteção Ambiental (CISPPA).

Um “fantasma” nos registros

Batizada de Operação Fantasma, a investigação teve início após denúncia anônima encaminhada à Diretoria de Inteligência da Polícia Civil. O desafio era enorme: o foragido não possuía registros fotográficos ou digitais nos sistemas oficiais do Paraná, dificultando sua identificação.

O ponto de virada ocorreu quando os investigadores descobriram que o nome falso utilizado por ele constava em um boletim de ocorrência registrado em Santa Catarina, em 2017. Nesse caso, ele dirigia um carro de propriedade de sua companheira — mulher que, coincidentemente, aparecia ligada ao nome verdadeiro do foragido em investigações do Paraná.

A partir daí, os policiais conectaram os pontos: o casal tinha dois filhos registrados com o nome verdadeiro do homem procurado.

A confirmação da identidade

A identidade real foi confirmada graças a um conjunto robusto de evidências levantadas pelos investigadores:

  • Cicatriz: Um antigo registro paranaense indicava que o foragido possuía uma cicatriz no dedo indicador da mão esquerda. A mesma marca foi localizada em uma foto de 2004, registrada em procedimento policial no Distrito Federal — época em que o criminoso já usava o nome falso.
  • Assinatura: A caligrafia da assinatura no RG falso era praticamente idêntica à encontrada em documentos originais do Paraná.
  • Impressão digital: A comprovação definitiva veio de um documento de alistamento militar, datado de 1996, que continha a impressão digital do polegar direito do verdadeiro foragido.

Além disso, a equipe apurou que o número do RG usado pelo suspeito era legítimo, mas pertencia a outra pessoa residente em Goiás, onde o documento teria sido fraudado.

Prisão e novos crimes

Após a prisão, o homem foi encaminhado à Polícia Científica para coleta e análise das digitais, que confirmaram sua verdadeira identidade. Em seguida, ele foi levado à Central de Plantão Policial da Capital e depois ao Sistema Prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.

Além das penas já determinadas por homicídio, tráfico e roubo, o detido também irá responder por falsidade ideológica.

A Polícia Civil de Santa Catarina reforça que informações sobre foragidos da Justiça podem ser encaminhadas de forma anônima pelo e-mail deic-capturas@pc.sc.gov.br. A lista de procurados também está disponível no Portal Foragidos da PCSC.

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